Escola especializada ensina inglês para terceira idade

por | 10 de maio de 2022 | Carreira Sênior

Ana Iamaciro

Aprender um novo idioma nunca é tarde e pode trazer mais benefícios do que se imagina. Geralmente, ao atingir a terceira idade, já passamos por muitas coisas e tivemos diversas conquistas, sejam elas pessoais, profissionais ou materiais. Porém, se abre espaço para novos projetos e há uma necessidade de maior estímulo na memória.

Há 13 anos, quando ainda dava aulas de informática, a fundadora e professora da Escola Forever Young, Simone Carnio tinha alunos de diversas idades e percebeu uma demanda: aulas especializadas para os alunos da terceira idade. A tecnologia desde aquela época já é vista como uma necessidade e esse público apresentava maior dificuldade.

Porém, Simone percebeu que esses alunos estavam muito motivados e tinham um grande propósito de realmente aprender. Foi aí que surgiu a escola, com a proposta de ensino de inglês para idosos em Curitiba. Simone conta que as aulas são presenciais e personalizadas e os alunos são reduzidos. “Nós fazemos uma preparação com os professores para atender essa demanda, através de cursos e do repasse da nossa experiência”.

Marcos Antonio Coelho é professor da escola há quase 10 anos e dá aulas para os níveis intermediário/avançado. Ele explica que ainda não há muitos estudos sobre o ensino para os 50+, mas que existe a neuropsicopedagogia que os ajuda a entender melhor a como trabalhar com esse público. Sendo assim, eles adotaram o conceito de que são adultos ávidos por conhecimento, com muita bagagem e dispostos a superar desafios.

Falando em desafios, Marcos explica que existem alguns. “A memória é uma das principais questões. Além disso, atendemos um público que tem vontade de aprender, mas não quer ser pressionado pelo professor”, explica. Ele complementa dizendo que a repetição e a conexão dos temas das aulas com a. memória afetiva são a chave para manter o aluno interessado e fazer com que ele aprenda. “Linkar as aulas com vivências deles, falar sobre viagem e sobre atualidades é importante”.

Apesar das dificuldades, existem vantagens em aprender um idioma mais tarde. Simone conta que, além do estímulo cerebral, a escola promove a socialização entre os alunos com diversos clubes. Dentre eles, o clube do vinho, onde o sommelier explica sobre a bebida -em inglês- para os alunos. “Eu sempre brinco dizendo que eles vem aprender inglês e ganham muito mais”, comenta a fundadora, bem humorada.

Sobre o desenvolvimento nas aulas, o professor explica que ninguém é ‘nível 0’ de verdade. “Todos sabemos alguma coisinha, pela presença da língua inglesa no dia a dia”. Além disso, Marcos explica que existem vários níveis de fluência. “Você pode ser fluente no nível básico, no nível intermediário, etc”. Porém, para atingir um nível mais avançado, é preciso se dedicar dois anos e meio, em média. Nesse tempo, é possível se comunicar sem problemas em uma viagem, por exemplo. “E isso é uma conquista gigantesca para pessoas com mais de 60 anos”, comenta Marcos.

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