Intergeracionalidade e Mentoria Reversa

Maritza Pinto Ribeiro

Psicóloga, Consultora de Carreira, Apaixonada pela Causa da Longevidade

A revolução da longevidade é acompanhada pela intergeracionalidade, mas o que é intergeracionalidade?

O que é mentoria? Como se utiliza? E mentoria reversa, o que significa e como funciona? Qual a relação de tudo isto comigo?

Vamos começar definindo os termos que são novos e/ou pouco usados.

Então vamos entender e analisar o que se apresenta como definição de INTERGERACIONALIDADE: “Que se realiza entre duas ou mais gerações; relacionado com o que se estabelece entre duas ou mais gerações”.

O contexto de intergeracionalidade vai além do relacionamento entre avós, pais e netos, mas abrange todo tipo de situações sociais e, portanto, obviamente a realidade profissional.

Os efeitos positivos das relações intergeracionais são cada vez mais observados.

A relevância da contribuição que os idosos, especialmente, no que tange ao contexto profissional podem oferecer aos mais jovens é muito significativa.

Por outro lado, os jovens com abertura para aprender, acompanhados por um gestor sênior habilitado para desenvolvê-los, além de reter o ensinamento, normalmente agregam com sua visão mais conectada a situações pertinentes à sua faixa etária. Desta forma se consolida uma mentoria reversa!

Este tipo de vivência facilita um posicionamento de cidadania que rompe o preconceito dos jovens para com os idosos e vice-versa. Isto acrescenta com muita propriedade, que o acolhimento, cuidado, crenças e valores normalmente são transmitidos pelas gerações antecessoras.

Um significativo estudo na Universidade de Washington envolveu 2000 voluntários com idade acima de 55 anos. Cada voluntário seria tutor de, no máximo, dois alunos com problemas de aprendizagem. O experimento foi realizado em 22 escolas totalizando 20.000 jovens assessorados.

O resultado foi que 60% dos alunos obtiveram melhoria relevante em seu desempenho, além de mostrarem-se mais tranquilos e seguros. No entanto, os ganhos também se estenderam junto aos voluntários ficando visível a potencialização destes no quesito inteligência emocional.

Um artigo postado pela organização social Emeritus, em 16 de junho de 2020, cita que o primeiro registro conhecido sobre mentoria reversa foi com o CEO da General Electric, Jack Welch. O executivo propôs que se formassem duplas, sendo um profissional júnior e o outro sênior com o foco de aprendizagem na área tecnológica.

Atualmente é sabido, porém pouco divulgado, que a mentoria reversa agrega benefícios que apresentam reflexo no clima e cultura organizacionais e no próprio formato de liderança e objetivos estratégicos da instituição.

No entanto o ganho é recíproco, pois o anseio do jovem sentir-se pertencente e ouvido, receber feedback e crescer profissionalmente ganha voz e visibilidade junto aos principais executivos, atores decisórios nas organizações.

A Organização Social Emeritus, também apresentou considerações importantes no mesmo artigo mencionado acima, as destaco abaixo e são absolutamente compatíveis com a minha experiência e forma de pensar:

A mentoria reversa demonstra benefícios para a própria empresa e, organizações como a Coca-Cola, Microsoft e IBM, vivem esta experiência.

Mentor e mentorado se desenvolvem como pessoas e profissionais e têm insights sobre fatos e situações que até então desconheciam. É visível a melhoria na autoconfiança e na habilidade de empatia.

Então, não espere mais, busque ser mentor e mentorado e cresça muito!