Etarismo ou idadismo: o que é e seus efeitos

por | 11 de agosto de 2022 | Legislação e direitos

Joel Garcez Jr

O etarismo ou idadismo é um termo que surgiu a partir do inglês “ageism” e significa o preconceito contra pessoas mais velhas, definido por Robert Butler, um gerontólogo estadunidense, em 1969.  Essas discriminações podem ser institucionais, interpessoais ou pessoais. Esses pensamentos são induzidos desde a infância e geram impactos na saúde, bem estar e nos direitos humanos.  

De acordo com o Relatório Global do Etarismo (em tradução livre), produzido pela ONU, em 2021, dentre os fatores que incitam esse preconceito estão o medo da morte e uma educação reduzida. Ainda, o documento aponta que homens mais jovens costumam apresentar esse pensamento negativo, enquanto as mulheres são os principais alvos. 

Existem três tipos de etarismo, são eles: estereótipos, preconceito e discriminação. Cada um se relaciona com uma capacidade psicológica. Os pensamentos são afetados pelos estereótipos, os sentimentos sofrem intervenção pelos preconceitos e as ações e comportamentos são comprometidos pela discriminação. Considerando isso, a ONU listou três estratégias para reduzir esse fenômeno: políticas e leis, intervenções educacionais e intervenções de contato intergeracional.  

Em relação às políticas e leis, a Organização afirma que ao criar normas específicas, os direitos são reforçados e consequentemente, o etarismo é reduzido. Para isso, é necessário um mecanismo e monitoramento de nível nacional e internacional para que as implementações sejam efetivas. 

A intervenção educacional deve ser incluída em diferentes níveis, sendo da educação infantil até a universidade, em contextos formais e informais. As atividades ajudariam a desenvolver a empatia, desmistificar as diferenças entre as faixas etárias e ajudam a reduzir o preconceito e a discriminação.  

O contato intergeracional promoveria a interação entre pessoas de diversas idades. Esse contato ajudaria a reduzir os estereótipos e é considerada a medida mais efetiva dentre as três listadas pela ONU. 

Ainda de acordo com o relatório, pessoas mais jovens são mais propensas a serem contratadas do que idosos. Esse resultado foi relatado em uma pesquisa realizada pela ONU, em 2021, em uma empresa na Espanha, candidatos com 28 anos tiveram um retorno 77% maior do que candidatos de 38 anos.  

Na mídia, a representação desse público é crucial, pois eles influenciam nas nossas percepções e interações diárias, incluindo como nos identificamos com eles e como nos vemos a medida em que vamos envelhecendo. Por isso, esse é um dos compromissos do CEDIVIDA: ressignificar o processo de envelhecer, como algo positivo, sem estereótipos. 

Portanto, é de responsabilidade das instituições, academia e sociedade em geral de combater esses estereótipos.