Na última sexta-feira (11), o CEDIVIDA realizou a palestra “Memória do Idoso”, ministrada pela médica geriatra, Dra. Caren Cristiane Muraro. Integrando a campanha do Setembro Lilás, o encontro abordou a perda da memória no envelhecimento, destacando os primeiros sinais de alerta, as causas, além de formas de prevenção.
A palestrante destacou que a demência não é uma doença exclusiva do envelhecimento, ela pode começar décadas antes dos primeiros sintomas aparecerem. Com o constante aumento da população idosa no Brasil, a previsão é de que o número de casos da doença no país deva triplicar até 2050. Dessa forma, a demência pode se tornar um grave problema de saúde pública, já que a pessoa acometida perde a capacidade de viver de forma independente.
Durante sua fala, a Dra. Caren reforçou a importância de quebrar o estigma sobre a perda de memória na velhice, inclusive entre profissionais da saúde. Ao contrário do que muitos pensam, o esquecimento e a demência não são efeitos naturais da longevidade, mas sim o reflexo de doenças que causam a perda progressiva da memória e da autonomia.
Esquecer nomes ocasionalmente, onde guardou objetos, compromissos esporádicos, além de uma leve lentidão para aprender coisas novas são situações que fazem parte do processo de envelhecer. Por outro lado, esquecimentos frequentes que afetam a rotina, perda de autonomia para tarefas simples e desorientação de tempo e espaço são episódios que servem como sinal de alerta para investigar mais a fundo as causas dessas ocorrências.
Inúmeras podem ser as causas da perda de memória, nem tudo é um sinal de Alzheimer. Existe uma série de indicadores que podem ser verificados antes de fechar o diagnóstico, alguns deles são: o uso de antidepressivos e de remédios para dormir, a deficiência de vitamina B12, a apneia do sono, alterações de tireoide, desidratação, estresse, além de intoxicação por álcool ou drogas.
O diagnóstico da doença de Alzheimer, e de outros problemas que afetam a memória, é realizado por meio de testes cognitivos padronizados, que são aplicados por geriatras, neurologistas ou psicólogos.
Embora a maioria das demências não tenha cura, o diagnóstico precoce pode transformar a vida do paciente e da família. O tratamento combina a abordagem farmacológica com um suporte multidisciplinar como a terapia ocupacional, fisioterapia, entre outros. Além disso, o apoio da família é essencial diante do desgaste emocional causado pela doença.
O envelhecimento cerebral é um processo natural, mas estima-se que quase 60% dos casos de demência no país podem ser prevenidos se estratégias simples forem adotadas. A participação social, o convívio familiar e ter uma rotina saudável contribui para a saúde mental e emocional, ajudando a prevenir o declínio cognitivo.
