Chegar aos 60+ é sinal de que já se viveu muito. Durante essa jornada, vamos guardando memórias, aprendizados, experiências e objetos, uma foto, um presente, um móvel herdado dos pais ou avós, tudo isso é normal, é uma maneira de recordar as pessoas por quem temos um carinho especial.
Mas, quando a situação foge do controle e começamos a acumular coisas sem nenhum critério, isso é sinal de alerta. Quando as memórias e lembranças deixam um vazio no dia a dia, pode ser que se busque nos objetos um meio para preenchê-lo, e esse hábito pode se tornar um empecilho físico e emocional para viver.
Falar sobre acúmulo, não é buscar culpados, mas tentar compreender as razões que nos levam a acumular. Falar sobre isso, e pedir ajuda quando necessário, é um meio de se libertar daquilo que nos faz mal. A desordem e o lixo, além de causar vergonha ao acumulador, podem trazer riscos reais para a saúde, como higiene precária, quedas, incêndios e isolamento social.
Por isso, pedir ajuda é o caminho mais adequado para solucionar a situação. Na maioria das vezes, são a família, os amigos próximos, os vizinhos ou os profissionais de saúde que desempenham o papel de facilitador nesse processo de reorganizar o ambiente, mas é necessário um grande esforço da parte do acumulador para que isso seja resolvido de fato.
Algumas atitudes podem ajudar nesse processo de reassumir o controle da vida. Comece com coisas simples, inicie jogando fora itens quebrados ou que não funcionam, roupas rasgadas ou que não servem mais e produtos vencidos, se quiser pode separar em categorias: itens que vão para o lixo, que serão doados e aqueles que podem ser vendidos.
Esse processo é mais do que jogar coisas fora, é saber escolher o que me é útil e me traz alegria, é tornar a vida mais simples e feliz. É buscar formas saudáveis de superar a ausência, a saudade, o medo ou a solidão. E por fim, entender que um hábito, mesmo que não seja saudável, não define quem você é.

